ELEFANTE EDITORES COMEMORA 25 ANOS

A Elefante Editores comemorará, em Fevereiro de 2022, o seu vigésimo quinto aniversário. Para assinalar a ocasião está previsto o lançamento de duas obras: a edição revista e ampliada de Do Amor-Breve Antologia de Poesia Portuguesa, que foi o primeiro livro editado em 1997; e o primeiro volume da série Poetas Fora da Gaveta, que reunirá 25 poemas de outros tantos autores que têm partilhado os seus trabalhos no fórum «Laboratório de Poesia».

Este fórum é coordenado por Brites dos Santos e, desde há alguns meses, é o ponto de encontro de muitos novos autores. De todos os poemas registados, um júri escolherá 25 que serão editados em livro.

 

ONDA POÉTICA:
QUATRO ANOS DE AMOR À POESIA

A «Onda Poética» é uma tertúlia mensal de/sobre poesia que existe, ininterruptamente, há quase quatro anos. Surgiu no âmbito de uma livraria entretanto desaparecida (Livramar, em Espinho) e continua agora no Bar Dominó do Casino desta cidade. Na segunda 2ª feira de cada mês, lêem-se poemas e partilham-se cumplicidades poéticas.

Vale a pena aparecer e participar pois existe sempre um espaço dedicado aos «espontâneos» que tanto podem ser poetas ou apenas declamadores.
A não perder.
Para mais informações está disponível o coordenador desta iniciativa, o poeta Antero Monteiro.

 

ASSOCIAÇÃO DE IDEIAS
LANÇA BOLETIM «LAVRA»

A Associação de Ideias, com sede em Gaia, começou a editar o boletim «Lavra».
A associação tem ainda um carácter informal e nasceu «da união de um conjunto de ideias dispersas, provenientes de diversos quereres e pessoas ligadas à cultura e muito especialmente à literatura e à poesia».
A associação pretende «contribuir, apoiar e promover a divulgação de novos valores e da sua obra nos mais diversos campos da arte e da cultura».
Para assinar o boletim e para receber informações sobre a Associação de Ideias e do seu boletim «Lavra», contacte o seu director Eduardo Roseira.

A Internet abriu um mundo novo de oportunidades para os poetas e a sua poesia.
Existem milhares de páginas em todo o mundo. Muitas delas em língua portuguesa.
São centenas ou mesmo milhares os poetas que, com a Internet, conseguiram chegar aos leitores sem terem de estar ligados uma editora.
Um pouco por todo o lado surgem fóruns de/sobre poesia e aí se trocam ideias, se partilham poemas, se consolidam as palavras. Assim, mais do que nunca, os autores podem estar próximos dos seus leitores.
Numa palavra: a Internet abriu aos poetas, designadamente aos novos autores, um espaço privilegiado de contacto com os leitores e de divulgação das suas obras em todo o mundo.
E com uma vantagem acrescida de, na Internet, não existirem as habituais barreiras físicas da edição escrita e do livro.
Claro que nada substituirá o livro. Mas, o que certamente acontecerá é que a Internet será, muito em breve, o primeiro espaço de contacto dos novos autores com os seus leitores. (Não é por acaso que muitos consagrados estão a aderir…)
O livro virá depois e teremos que encontrar novas formas de impressão e distribuição que possibilitem a sua máxima expansão.
Mais do que uma ameaça, como alguns consideram, a Internet é uma oportunidade única de transformar a escrita, de tornar a poesia numa realidade universal… à distância de um clique.

Já lá vão treze anos, mas ainda sente muitas saudades do desaparecido. Conheceu-o no campo de treinos do União, para onde se dirigia depois das aulas com o intuito de ver o treino dos juniores. Foi paixão à primeira vista. Ele era o melhor jogador da equipa, tratava a bola por tu, driblava com a facilidade inata dos atletas de eleição e reparou nela quando, após marcar um golaço, veio beber água à linha lateral. Casaram passado um ano, não porque tivessem pressa, mas porque, de um momento para o outro, a Miquelina viu o seu baixo ventre inchar como uma bola de futebol. A filha nasceu pouco depois e ele teve de se mudar para um clube que lhe desse mais garantias. Foi assim que vieram para a cidade, foi assim que se mudaram para a casa onde ainda hoje mora, vibrando com os relatos de futebol e enchendo a paciência à dona Luisa, uma jóia duma moça.

«Dona Miquiiiiiinhas!»
Um dia destes o jogo corre mal e o diabo da velha tem uma sincope provocada por uma bola na trave. Um dia destes dá-lhe uma coisinha má e vou encontrá-la de cabeça à banda, com a língua de fora, a olhar para o infinito com aqueles olhos esbugalhados de adepto fanático, com a dentadura a rir-se para mim dentro do copo na mesinha de cabeceira como se o meu clube tivesse levado uma abada. Um dia destes perco a cabeça e faço trinta por uma linha quando a tontinha da filha a vier ver como quem visita um parente afastado, com a mesma cara de pau com que se foi embora, cheia de sorrisos e de malmequeres baratos gamados num quintal qualquer naquele bairro de pés-rapados onde mora. Não me chamo Luisa Morais de Sousa se um dia destes não faço uma vergonha.

«Olhe que eu vou aí! Está a ouvir?»
O Luís também era uma jóia, apareceu um dia lá em casa para uma emergência de fusíveis queimados e fez um trabalho de mestre. A dona Micas gostou tanto do serviço que até lhe ofereceu uma sande de queijo e uma cerveja para matar o bicho. A filha também deve ter gostado do que viu, a avaliar pela maneira como não tirava os olhos dos peitorais dilatados do electricista. O malandro tinha tanto jeito para os fios de electricidade como para acender corações apagados e, vai daí, catrafilou o sistema eléctrico da filha da dona Miquelina. O pior foi depois. O desgraçado do homem não se queria assumir. Comeu e não quis pagar como se a Joana fosse uma sande de queijo e como se a dona Micas fosse lorpa o bastante que não visse o desenrolar dos acontecimentos. Resultado: nove meses depois acendeu-se uma neta, que é como quem diz deu à luz, e o casório realizou-se ou não fosse a Micas senhora de tomates no sítio. Mas pior ainda foi quando se apercebeu que os músculos do Luís não serviam só para atarraxar lâmpadas e deu com ele a fazer da Joana gato-sapato, aos biqueiros à miúda como se fosse o defesa central do União a aviar os avançados adversários. Quem sabe nunca esquece e a escola da rua sempre serve para alguma coisa: o Luís apanhou tantas e tão poucas que deu o seu veredicto: ou a tua mãe ou eu. Foi assim que saíram de casa deixando a pobre da dona Miquinhas entregue aos relatos de futebol e aos cuidados da dona Luisa, uma santa duma mulher.

Criaria uma nova forma de amar
De gostar,
Melhoraria o pensamento,
Acabaria com o sofrimento!

Seria profeta…
Ah! Se eu fosse poeta…


NÃO ME PEÇAS PARA TE ESQUECER

Não me peças para te esquecer
meu amor!

faço tudo menos esquecer.
não posso esquecer
meu amor!

não me peças para fingir que não aconteceu
meu amor!

faço tudo menos fingir que não aconteceu.
não posso fingir
meu amor!

não me peças para ignorar os sentimentos
meu amor!

faço tudo menos ignorar os sentimentos.
não posso ignorar
meu amor!

não me peças para te perder
meu amor!

faço tudo menos perder-te.
não posso perder-te
meu amor!

não me peças para pensar que foi um equívoco
meu amor!

faço tudo menos pensar que foi um equívoco.
não posso pensar
meu amor!

pede-me antes para te lembrar,
para te abraçar,
para te beijar,
para te acariciar,
meu amor!

pede-me antes para te amar
meu amor!


SUA EXCELÊNCIA O SENHOR MINISTRO DA CULTURA

Sua Excelência o senhor ministro da cultura
Comemorou o dia mundial da poesia.
Transformou uma alegre tarde de sol numa tarde triste e escura
Sem poetas na rua, sem poetas convidados, sem poetas
A poesia se poesia existia estava solitária nuns tímidos papeis de cor

Sua Excelência o senhor ministro da cultura
Comemorou o dia mundial da poesia.
Atingiu certamente muitas das suas inconfessáveis metas
Mas não atingiu a poesia, nem o sentimento, nem o amor
Porque não tinha consigo os poetas.

Sua Excelência o senhor ministro da cultura
Comemorou o dia mundial da poesia.
E lamentavelmente esqueceu-se dos poetas

Sua Excelência o senhor ministro da cultura
Comemorou o dia mundial da poesia.
Sem as mulheres e os homens criadores da poesia
E dois dias depois eu estive num encontro de poesia
Onde se pediu “encarecidamente” aos poetas para não dizerem poesia!
Por favor! que mundo é este que fecha as portas à poesia
Mesmo quando se fala e age em nome da poesia?

Sua Excelência o senhor ministro da cultura
Comemorou o dia mundial da poesia.
O que é que eu faço com o dia mundial da poesia?
Todos os dias para mim são o dia mundial da poesia!

A mim não me apetece desatar em histéricos prantos.
Não me apetece citar Cristo, nem Deus, nem Anjos, nem Santos.
Não me apetece desatar alegremente em estúpidas gargalhadas
Apetece-me simplesmente falar de nomes de pessoas
Mesmo que esses nomes não tenham métrica nem rima
E que portanto as palavras não se possam considerar poeticamente boas

Al Berto, Alexandre O’Neil, Almada Negreiros,
Almeida Garrett, Antero de Quental, António Aleixo,
António Botto, António Gedeão, António Nobre,
Aragon, Bertolt Brecht, Castro Alves,
Cesário Verde, Bernardim Ribeiro, Camilo Pessanha,
Carlos Drumond de Andrade, Eugénio de Andrade, David Mourão Ferreira, Federico Garcia Lorca, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Gomes Leal, Guerra Junqueiro, Herberto Helder, Joaquim Namorado, Joaquim Pessoa, Jorge de Sena,
Jorge Luís Borges, José Afonso, José Carlos Ary dos Santos,
José Gomes Ferreira, José Régio, Luíz Vaz de Camões,
Machado de Assis, Manuel Alegre, Manuel Maria Barbosa du Bocage, Mario Cesariny, Mário de Sá Carneiro, Mario Dionísio,
Mário Henrique Leiria, Mia Couto, Miguel Torga, Natália Correia, Norge, Octávio Paz, Pablo Neruda, Paul Éluard, Ruy Belo,
Sérgio Godinho, Sophia de Melo Breyner Vinícios de Moraes,